À medida que iniciam suas carreiras, os analistas têm a ambição de crescer e aprender o máximo possível; ao mesmo tempo, desejam ganhar destaque para oportunidades futuras.
A pesquisa pode ser um caminho promossior para alcançar estes objetivos, proporcionando uma base sólida e um grande potencial de crescimento em múltiplas áreas. Nicholas Rosato, Diretor e Head de Pesquisas sobre Ações da América do Norte no J.P. Morgan, em conversa patrocinada pela Bloomberg, compartilha suas experiências na área de pesquisas sobre ações, incluindo várias lições aprendidas e alguns conselhos para quem está no começo da carreira.
Ao falar sobre o que alimentou o sucesso de sua carreira, Rosato diz que sua trajetória, que teve início na Prudential, com um período na Bear Stearns até chegar ao J.P. Morgan, sempre esteve claramente ligada com sua paixão pelos mercados e pela análise de ações.
Rosato destaca este entusiasmo e desejo de aprender como os fatores mais importantes para sua carreira. “Tudo que fiz, quer enquanto estava estudando finanças, ou nas ações que tomei relacionadas à minha carreira, foi para aprofundar isto”, disse.
Rosato considera fundamental entender sobre os mercados financeiros e as estruturas corporativas — a base para quem está começando. “Além disso, você precisa ser um ótimo comunicador e um grande escritor”, afirmou. “Estas habilidades nem sempre são primordiais. Algumas delas podem ser aprendidas — mas no conjunto, transformam analistas em grandes profissionais. Quando penso nas pessoas que conheci ao longo dos anos, não existe uma lista específica de atributos tipo "tamanho único", mas todas elas tinham em comum o desejo de ter sucesso e trabalhar duro. Este conjunto de habilidades forma uma base sólida para diversas carreiras. O setor de pesquisa em ações pode oferecer ótimas oportunidades de carreira, ou ser um excelente treinamento”. Estes fundamentos também são essenciais para entender e trabalhar em mercados em rápida transformação. A ascensão dos fatores ESG e mudanças
regulatórias, bem como a volatilidade criada pela GameStop e outras ações "meme", são apenas alguns dos fatores que alteram o panorama das pesquisas atualmente. Habilidades em ciência da computação/programação também têm sido fatores de desenvolvimento importantes ao se considerar novas contratações, dado o ritmo da tecnologia. “Nos últimos três a cinco anos, vimos muitas pessoas formadas com habilidades de programação e isto tem sido extremamente útil para o meu departamento”, afirmou Rosato. “Quando ensinamos a pesquisa em ações, muitas vezes estes novos profissionais percebem certos aspectos e desenvolvem programas para simplificar as coisas. Isto permite economizar muito tempo e automatizar alguns de nossos processos”. Obviamente, a geração de ideias é crucial para qualquer analista bem-sucedido. “É primordial para o que fazemos”, disse Rosato. A seguir, confira algumas questões importantes que os analistas devem considerar:
Como todos os demais negócios na área financeira, a pesquisa foi impactada e sofreu alterações devido à pandemia global. A pesquisa em ações se encaixa bem ao trabalho remoto, o que deu aos analistas mais tempo para avaliar a volatilidade do mercado que acompanhou a pandemia. No entanto, também houve perdas quanto a conexões e relacionamentos pessoais. “A única coisa que todos sabemos que está faltando é a comunicação interpessoal”, afirmou Rosato.
Até que o trabalho presencial seja possível novamente, Rosato encoraja mais comunicação, reuniões skip-level e encontros mais informais para manter o aprendizado e engajamento contínuo dos analistas.
Ao considerar o futuro da pesquisa em ações, é indiscutível que o negócio vem diminuindo com o aumento de quants (abreviação de Quantitative Analysis, em inglês) e ETFs (Electronic Traded Funds). Porém, Rosato afirma que a demanda de tempo dos analistas aumentou 35% em 2020, dada a volatilidade decorrente da pandemia e o aumento da atividade
de negociação. “Para mim, dizer que a pesquisa em ações está em declínio é um grande exagero”, afirmou Rosato. “Ela continua sendo uma função crítica nos bancos de investimento”.
Ao fazer o marketing das suas pesquisas, como os analistas se diferenciam? Confira a seguir os comentários de Rosato sobre progresso e sucesso na área de pesquisa:
1. Além de apresentar uma tese, uma hipótese e uma recomendação, é importante liderar com sua conclusão (sem exageros) e permitir que o leitor perceba o diferencial da sua pesquisa. Também é importante considerar os stakeholders internos e externos.
2. Ao buscar um candidato para promoção para o cargo de analista líder, é importante prestar atenção em quem está se destacando. Quem está fazendo um trabalho excepcional? Estes analistas saem na frente nas avaliações para estas vagas, pois Rosato visa contratar internamente.
3. Crie relacionamentos com os clientes e dentro da empresa. Faça tudo que você puder para conversar com o departamento de vendas, seja prestativo, mantenha o diálogo aberto com os analistas sênior e participe dos eventos.
4. Tome a iniciativa e busque oportunidades de networking. Isso se estende ao uso de diferentes ferramentas e recursos disponíveis na sua empresa. “Aproveite os treinamentos”, disse Rosato, “e os utilize como uma oportunidade de se diferenciar”.
“Encontre seu nicho e construa sua marca”
Como criar pesquisas diferenciadas
Como melhorar a colaboração e a comunicação
Como utilizar dados para descobrir oportunidades
Como criar e testar ideias