Capítulo 1
Embora a tecnologia na nuvem tem sido usada em empresas de mercados de capitais há anos, recentes avanços tornaram prático a criação de uma gama crescente de aplicativos na nuvem. Ao mesmo tempo, os petabytes de dados com os quais empresas individuais estão lidando, tornaram mais necessário que considerassem a nuvem para algumas de suas atividades de missão crítica.
A mudança para a nuvem foi facilitada pelo surgimento frequente de novas startups de nuvem, revolucionando infraestruturas e aplicações antigas. Entretanto, fornecedores públicos de nuvem estão expandindo os serviços em IaaS, PaaS, dados e analytics. Em meio a várias pressões, empresas do buy-side e sell-side estão migrando aplicações de front-office para a nuvem.
As novas empresas que não dependem de sistemas antigos estão agora, em alguns casos, operando totalmente na nuvem, enquanto muitas outras estão trabalhando como um modelo híbrido.
Geralmente, as empresas começam com funções menos urgentes, como a precificação no final do dia, mas estão migrando rapidamente para aplicações de maior latência, que exigem uma redução de tempo para níveis de micro e nanosegundos.
“É uma rápida transformação dos últimos três a quatro anos. A tendência que está se concretizando agora: todas as cargas de trabalho estão disponíveis na nuvem", comenta Cory Albert, diretor de estratégia de nuvem de enterprise data da Bloomberg.
Segurança: nova tecnologia, novas preocupações
Usar a tecnologia em nuvem exige mudanças fundamentais na forma como tecnólogos configuram sistemas, criando certas incertezas. No recente Data & Tech Summit da Bloomberg, em Nova York, 65% dos participantes citaram preocupações com segurança como o maior obstáculo à movimentação de fluxos de trabalho de missão crítica do front e middle office para a nuvem. Em segundo lugar, apareceu a complexidade dos sistemas interconectados e em terceiro, preocupações em relação à latência.
CTOs geralmente encontram-se no papel de ajudar outros a se sentirem confortáveis com a ideia de uma tecnologia em nuvem ou híbrida. Os tecnólogos que participaram em um painel no summit, reconheceram que a preocupação com a segurança é mais em função da falta de familiaridade. Eles observaram que, além de oferecer uma grande variedade de ferramentas de segurança de software, fornecedores de nuvem pública, como AWS ou Microsoft Azure muitas vezes investem mais na segurança física de seus centros de dados. Os participantes do painel também disseram que focaram em segurança limitando pontos de acesso e segmentação, para que empresas que não se comunicam, não precisam estar conectadas.
Criar barreiras entre empresas - como compartimentos impermeáveis de um navio - ajuda a conter danos no caso de uma violação de segurança. “Mesmo que haja um vazamento, você o limitou e o reteve à uma área específica”, disse Arun Kumar, arquiteto chefe da Citadel LLC.
Ele acrescentou que a segmentação também é útil em outras formas, como faturamento e controles de custos.
Embora barreiras sejam essenciais para a segurança, a interconectividade também é crucial para a arquitetura de nuvem, seja para conectar sistemas existentes à nuvem ou para conectar diversos fornecedores de nuvem. No passado, a disponibilidade de dados era a principal entre essas barreiras: a tarefa de feeding de dados para aplicações com base na nuvem, era da empresa que consome os dados. A Bloomberg está trabalhando para que todos os conjuntos de dados sejam acessíveis a partir da nuvem e disponibilizou o Bloomberg Market Data Market Feed (B-PIPE), através da entrega de origem na nuvem via AWS. A entrega de origem na nuvem elimina muitas das limitações de latência do trabalho com uma API baseada na internet.
O crescimento da nuvem está mudando a natureza dos negócios, com os fornecedores de dados cada vez mais atendendo plataformas ao invés de indivíduos.
Permitindo que os negócios andem mais rápido
A mudança para nuvem é criar algumas mudanças fundamentais no setor, incluindo a frequência de desenvolvimento. A nuvem está liberando tecnólogos para gastar mais tempo com desenvolvimento e menos tempo "monitorando os sistemas", como é necessário em grandes sistemas antigos.
A nuvem também permite uma inovação mais rápida. O que costumava levar meses para uma instalação tradicional no local agora pode ser feito em horas.
“Antes, você precisava fornecer as máquinas, instituir os processos e levava meses para obter uma validação de conceito. Os clientes podem experimentar mais rápido, ativar/desativar máquinas e muito mais. É fácil e não há conflitos com administradores e máquinas de aprovisionamento", disse Mauricio González Evans, diretor executivo do BCC Group.
Esse ritmo pode se tornar ainda mais acelerado à medida que apareçam mais fornecedores de aplicações na nuvem - dando a tecnólogos mais ferramentas para melhorar a velocidade e escala das aplicações de software. Stephen Muench, diretor de tecnologia da Murex da América do Norte, contou ao painel sobre um momento em que ele estava lidando com problemas de latência de um serviço em nuvem gerenciado que seria usado em algumas aplicações que eles estavam planejando mudar para a nuvem. No entanto, em um ano, os serviços melhoraram tanto que a latência se tornou melhor que a do cliente.
Tamanho e agilidade
A experiência de mudança para a nuvem varia dramaticamente com base no tamanho e estrutura da empresa e da antiguidade dos sistemas existentes. Kaveh Ghahremani, chefe de engenharia de plataformas, arquitetura e nuvem da TD Securities, comentou sobre sua experiência: "A TD é uma empresa grande: setenta mil pessoas, muitos departamentos, milhares de aplicações e sistemas, e para nós, simplesmente migrar para a nuvem não era uma opção. Tivemos que trabalhar para isso." Priorizar quais as centenas ou milhares de aplicações que podem ser movidas para a nuvem é algo que requer um planejamento cuidadoso e precisa ser feito de forma gradual.
No entanto, grandes e pequenas empresas já adotaram uma estratégia de priorizar a nuvem para novas tecnologias. A pressão do mercado também está impulsionando as empresas do buy-side e sell-side a oferecer novos serviços que podem ajudar seus usuários a tomar decisões mais rápidas e melhor informadas. Todos estes fatores estimulam um desenvolvimento mais rápido e mais pressão para mover o front-office e outras partes do negócio para a nuvem.