Capítulo 5
O compromisso de uma empresa com a diversidade e inclusão já não é considerado uma estratégia auxiliar ou um ponto que as diferencia. Ao determinar suas decisões financeiras, investidores estão prestando mais atenção em como as empresas incorporam essas iniciativas em seus negócios.
As implicações abrangentes da diversidade e responsabilidade social corporativas estiveram sob discussão em um evento centrado no incentivo à Diversidade e Inclusão (D&I) na gestão de ativos, criada pela Bloomberg e T. Row Price em New York. Para empresas do cenário financeiro, dois itens fundamentais que impulsionam o avanço da D&I se destacam: a composição da força de trabalho dos EUA (agora composta por 35% de millennials), além de pressões sociais e demanda de clientes. A forma como estas empresas atendem estas exigências externas será fundamental para que o setor financeiro avance e evolua para atender uma nova geração de investidores.
Mudança de prioridades
Nos últimos anos, os segmentos do setor financeiro começaram a se esforçar para promover a diversidade e inclusão, como utilizar equipes diversas, ao invés de gestores de portfolio individuais. Ao priorizar seu alinhamento com os valores dos investidores, as empresas podem se beneficiar de um foco mais intenso em D&I.
Empresas que não evoluem com os tempos, que não incorporam os princípios de seus mercados-alvo e que não implementam iniciativas de diversidade claras de maneira rápida, estão lutando para manter clientes — especialmente em virtude da transferência de riqueza para a geração dos millennials, esperada nos próximos cinco a dez anos.
“Os millennials têm um processo de investimento muito diferente”, disse Dom DiPasquale, Regional Head of Americas Sales da Bloomberg. “Embora as gerações anteriores tenham focado principalmente nos retornos, este grupo de investidores está pensando onde estão colocando o seu dinheiro, uma vez que está relacionado com o impacto no resto do mundo."
As prioridades de investimento desta geração se estendem às estratégias e compromissos ESG (Ambientais, Sociais e de Governança), com ênfase em suas implicações sociais.
Na verdade, os millennials estão na liderança em termos de interesse e propriedade com 77% dos investimentos de impacto social. Como a Bloomberg divulgou, as empresas que lideram seus setores em termos de desempenho ESG podem ter maior apelo ao investidor focado na sustentabilidade.
Embora esta atenção dada à D&I e à responsabilidade social pode, às vezes, ser difícil de medir como incentivo para empresas, é possível ver mudanças através do engajamento imediato dos clientes. “A demanda dos nossos clientes por transparência nos nossos esforços em D&I e ESG está aumentando muito," disse Scott David, antigo Head of Individual and Retirement Plan Services da T. Rowe Price. “Portanto, se conseguirmos acertar e provar que somos um líder consciente no setor de gestão de investimentos, acreditamos que isso cria um valor comercial significativo."
Progresso através de impacto
Para entrar em um ambiente de investimentos de grandes mudanças, D&I pode oferecer oportunidades reais às instituições financeiras para inovar e se conectar com clientes de maneiras que não eram possíveis antes.
“Várias de nossas unidades de negócios estão monitorando o número de interações de clientes que estamos recebendo em termos de D&I e ESG”, disse David. "Isso nos dá a oportunidade de sair de uma transação com uma instituição ou com uma grande distribuidora, ficar no mesmo lado do jogo e dizer "Vamos resolver o problema juntos". No segundo semestre de 2018, geramos 21 operações comerciais bem sucedidas como resultado de conversas sobre D&I e, principalmente, esse tipo de parcerias."
Em um momento nos qual os clientes possuem uma grande variedade de opções de investimento e de parcerias, um forte compromisso com D&I e ESG pode destacar uma empresa e permitir oportunidades que podem não resultar de conversas mais diretas focadas exclusivamente em retornos.
“Estamos buscando unir nossos próprios valores com os valores de nossos clientes," disse DiPasquale. “Fazer essas conexões em D&I e filantropia com nossos clientes é fundamental porque todo mundo está pensando sobre isso. Se isso ajudar a desenvolver uma relação, ou fazer algo bom para uma cidade ou população, vale a pena usar essa relação para ir além destas iniciativas."
Em termos de colaboração, as discussões e insights do dia foram, no fim das contas, resultado de um objetivo comum compartilhado pela T. Rowe Price e pela Bloomberg: incentivar e aumentar a visibilidade em D&I no ecossistema financeiro. Como Chris Michel, Americas Head of D&I da Bloomberg, disse em seu discurso de abertura, "Temos o hábito de ouvir nossos clientes e agir com boas ideias, motivo pelo qual estamos todos aqui hoje."