Os reguladores têm se concentrado principalmente em riscos relacionados à sustentabilidade e à mudança para a neutralidade de carbono ao avaliar o impacto das mudanças climáticas nos mercados financeiros.
Além dos relatórios de sustentabilidade, o setor deve se concentrar nos riscos físicos associados a eventos climáticos extremos, tais como ciclones, incêndios, terremotos, ondas de calor, enchentes e muito mais — indicadores de mudanças climáticas no longo prazo.
Estes riscos físicos relacionados ao clima têm implicações significativas, especialmente para a forma como as empresas do sell-side entendem e gerenciam riscos e ativos. As empresas do sell-side precisam de dados abrangentes que permitam uma avaliação rigorosa de riscos físicos. A tecnologia geoespacial correlaciona dados de ativos e dados climáticos para melhorar a análise de riscos físicos dentro do sistema financeiro.
Dados geoespaciais envolvem qualquer informação com uma localização mapeável, seja um endereço ou uma coordenada. Estes dados podem ajudar analistas a identificar áreas onde há secas ou alagamentos, por exemplo.
Consideramos o exemplo de uma empresa de capital aberto com uma rede de lojas de varejo localizadas em cidades onde incêndios ou furações são cada vez mais predominantes. Esta organização enfrenta maiores riscos físicos — e fiscais. Além disso, um grande banco com estes ativos em seu portfólio também pode experimentar um efeito descomunal do risco relacionado ao clima na estabilidade financeira da instituição.
Esta é a nova realidade para empresas de capital aberto e empresas do sell-side. Entretanto, quando se trata de avaliar estes riscos emergentes, o setor ainda fica atrás. Apenas alguns setores aproveitam dados geoespaciais para entender os riscos físicos. Por exemplo, traders de commodities utilizam estes dados para entender quantos petroleiros estão no mar a qualquer momento para melhor avaliar o fornecimento.
Os conjuntos de dados geoespaciais têm várias aplicações no setor financeiro. Por exemplo, as refinarias podem usar dados do World Bank sobre calor excessivo para avaliar os possíveis impactos em suas máquinas e o risco de desligamentos que podem afetar sua produção e continuidade de negócios. Os dados geoespaciais relacionados a ciclones podem permitir que bancos que emprestam a empresas em regiões com estes eventos climáticos extremos entendam melhor sua exposição. Da mesma forma, os analistas do sell-side podem fazer recomendações com base em informações mais robustas se souberem que uma empresa corre o risco de sofrer interrupções frequentes na cadeia de fornecimento porque ela opera em uma área onde os terremotos estão aumentando em magnitude a cada ano.
A tecnologia geoespacial também pode ser benéfica durante as pandemias ao ajudar as empresas do sell-side a correlacionar a propagação da infecção com potenciais perturbações comerciais que impeçam a entrada de trabalhadores no escritório, fábricas ou usinas — tudo isso pode ter consequências nas cadeias de suprimentos, disponibilidade de produtos e aberturas de negócios.
Os riscos relacionados ao clima podem levar a inúmeros riscos financeiros para as empresas, e é por isso que o Terminal Bloomberg integra ferramentas de avaliação de risco físico, como MAP <GO>, em nossas ofertas. Os clientes podem facilmente construir mapas nos quais podem inserir dados climáticos, meteorológicos e de ativos físicos. Outras sobreposições incluem imagens de satélite e informações de tráfego ao vivo. Os usuários podem pesquisar por empresa ou ativo para entender o risco físico e, ao mesmo tempo, comparar várias empresas e compartilhar estes mapas e visualizações de dados em suas organizações. Outras características incluem gráficos, notícias e capacidade de exportar estes dados para relatórios.
Obtenha uma visão abrangente
Além de encontrar oportunidades de investimento e descobrir riscos físicos para portfólios, o setor financeiro também está aproveitando dados geoespaciais para cumprir as regulamentações de relatórios de dados ESG (environmental, social and governance). Quatro jurisdições agora exigem relatórios relacionados ao clima com base nas recomendações Task Force on Climate-Related Disclosures (TCFD). Tdo Financial Stability Board. Especialistas de ponta de todo o setor financeiro aderiram às recomendações TCFD — que é presidida por Michael Bloomberg — para criar uma estrutura voluntária para ajudar empresas a divulgar riscos e oportunidades relacionados ao clima. Fontes de dados alternativas são fundamentais para criar uma imagem mais completa dos desafios climáticos e de como reduzir estes riscos existenciais. Dados geoespaciais e ferramentas automatizadas que apresentam visualmente estas informações, tais como MAP <GO>, oferecem uma oportunidade inestimável para o setor entender melhor os riscos e oportunidades climáticas, abordá-los de maneira adequada e aumentar a estabilidade dos mercados financeiros.
Após a publicação das recomendações finais TCFD em junho de 2017, a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI) iniciou uma série de Projetos Piloto TCFD para bancos, investidores e seguradoras. A UNEP FI publicou o relatório Navigating a NewClimate, que se concentrou na importância dos dados geográficos para a avaliação de riscos físicos.
"Embora existam ferramentas terceirizadas de mapeamento de risco climático, estas frequentemente fornecem granularidade baixa e/ou inconsistente para avaliar o impacto de eventos naturais ou de mudanças climáticas incrementais. Coordenadas precisas de longitude e de latitude para ativos (p. ex., empréstimos, garantias) e outros conjuntos de dados impulsionam a precisão da análise de risco físico”, afirma a UNEP FI em seu relatório.
Muitos dos participantes do relatório — grandes empresas do sell-side, como Royal Bank of Canada, TD Bank Group e UBS — já estão capitalizando dados geoespaciais para entender seus riscos físicos. Alguns construíram inteligência de localização e recursos internos de análise de dados para avaliar os riscos físicos em seus portfólios. Outros utilizam as ferramentas de avaliação de risco físico da Bloomberg para medir o impacto dos riscos relacionados ao clima sobre ratings de crédito de credores ou sobre financiadores de serviços públicos elétricos nos portfólios.
Utilize as ferramentas de avaliação de risco físico da Bloomberg para medir o impacto dos riscos relacionados ao clima
Os dados geoespaciais são promissores não apenas para avaliar os riscos climáticos, mas também para melhorar a divulgação e a comunicação de informações sobre o clima relacionadas à sustentabilidade. No entanto, há desafios no uso completo estes dados. Algumas áreas têm uma cobertura irregular na qual os dados podem ser regionais ao invés de globais. Em outros casos, há dados de identificação limitados, poucas métricas operacionais disponíveis ao público e/ou informações escassas sobre quem detém certos ativos físicos. Os avanços tecnológicos resolverão gradualmente algumas destas questões, mas, provisoriamente, as empresas podem aproveitar os dados atualmente disponíveis para realizar avaliações de risco físico mais robustas.